Uma dúvida muito comum no consultório é:
“Doutor, estou com muita dor. Será que um bloqueio na coluna pode resolver meu problema?”
A resposta é: depende da causa da dor.
O bloqueio na coluna não é indicado para todos os pacientes e também não substitui um diagnóstico correto.
Quando bem indicado, pode ajudar a controlar a dor e permitir que o paciente retome a fisioterapia, o fortalecimento muscular e outras etapas importantes da reabilitação. A diretriz da American Society of Pain and Neuroscience (ASPN), que avaliou a literatura sobre tratamentos intervencionistas para dor lombar, reconhece esses procedimentos como opções eficazes para dor e incapacidade, desde que a indicação seja criteriosa (Sayed et al., 2022).
O que é um bloqueio na coluna?
O bloqueio é um procedimento minimamente invasivo realizado com auxílio de exames de imagem para aplicar medicamentos exatamente na região responsável pela dor.
O objetivo não é “esconder” a dor, mas controlar o processo inflamatório e interromper temporariamente o ciclo doloroso que impede o paciente de recuperar sua função.
Na maioria dos casos, o procedimento é realizado em ambiente hospitalar ou centro cirúrgico, com anestesia local e alta no mesmo dia.

Imagem 02: Equipe médica prepara paciente para bloqueio na coluna guiado por exame de imagem
Quando ele costuma ser indicado?
O bloqueio pode ser uma opção quando:
- a dor persiste apesar do tratamento conservador;
- a dor impede a realização da fisioterapia;
- existe inflamação importante das articulações da coluna;
- há necessidade de confirmar qual estrutura está causando os sintomas.
Cada paciente deve ser avaliado individualmente pelo ortopedista cirurgião de coluna antes da indicação do procedimento.
Bloqueio é a mesma coisa que infiltração?
Na prática, muitas pessoas utilizam esses termos como sinônimos.
Entretanto, dependendo da técnica empregada, existem diferenças entre bloqueios diagnósticos, infiltrações terapêuticas e outros procedimentos intervencionistas.
Todos têm como objetivo controlar a dor, mas cada um possui indicações específicas.
O bloqueio cura a doença?
Não. Essa é uma das maiores dúvidas dos pacientes.
Na maioria das doenças degenerativas da coluna, o bloqueio não elimina a causa do problema. Seu principal objetivo é reduzir a dor para que o paciente consiga retomar atividades importantes do tratamento, como fisioterapia, fortalecimento muscular e reabilitação.
Por isso, ele costuma fazer parte de um plano terapêutico mais amplo.

Imagem 03: Fisioterapeuta orienta paciente em exercício de fortalecimento da coluna durante a reabilitação, etapa do tratamento da dor
Quais procedimentos existem?
O tratamento intervencionista da dor inclui diferentes técnicas. As principais são:
Bloqueios diagnósticos
Utilizados para identificar qual estrutura está realmente causando a dor. Na dor de origem facetária, por exemplo, os bloqueios diagnósticos dos ramos mediais são usados para confirmar a origem dos sintomas antes de outros tratamentos (Acosta Julbe et al., 2023; Manchikanti et al., 2026).
Infiltrações
Indicadas para controlar processos inflamatórios em estruturas específicas da coluna. Entre elas estão as infiltrações intra-articulares das facetas lombares, cujos resultados variam de acordo com o perfil de cada paciente (Acosta Julbe et al., 2023).
Rizotomia por radiofrequência
Procedimento que utiliza calor controlado para reduzir temporariamente a transmissão dos estímulos dolorosos provenientes das articulações facetárias.
Pacientes cuidadosamente selecionados podem apresentar melhora importante da dor e da capacidade funcional. Uma revisão sistemática com meta-análise de 17 ensaios clínicos randomizados concluiu que a evidência para a ablação por radiofrequência na dor crônica de origem facetária é de nível II, com certeza moderada, e recomendação de força moderada (Manchikanti et al., 2026).
Outros procedimentos intervencionistas
Dependendo do diagnóstico, podem existir outras opções terapêuticas indicadas para cada situação clínica.
Quando o bloqueio pode não ser indicado?
Nem toda dor na coluna melhora com bloqueios. Por exemplo:
- hérnias de disco com perda progressiva de força;
- instabilidade importante da coluna;
- fraturas;
- tumores;
- infecções;
- deformidades estruturais.
Nessas situações, outros tratamentos podem ser mais adequados.
Por isso, identificar corretamente a causa da dor é muito mais importante do que escolher o procedimento.
O que esperar após o procedimento?
A resposta varia entre os pacientes.
Algumas pessoas apresentam melhora nas primeiras horas.
Outras evoluem de forma gradual ao longo dos dias seguintes.
O resultado também depende da doença tratada, da técnica utilizada e da associação com fisioterapia e reabilitação.
Medicina regenerativa: onde ela entra?
Nos últimos anos, tratamentos com ortobiológicos, como PRP, aspirado de medula óssea (BMA/BMAC) e NanoFat, passaram a ser estudados para diferentes doenças ortopédicas.
Na cirurgia da coluna, as pesquisas ainda estão em desenvolvimento. Uma revisão narrativa sobre medicina regenerativa na dor de origem espinhal observou que nenhuma intervenção tem múltiplos estudos de nível I publicados (Desai et al., 2020).
Os resultados iniciais são promissores para algumas condições específicas, mas ainda existem dúvidas importantes sobre quais pacientes realmente se beneficiam, qual o melhor preparo dos materiais biológicos e quais protocolos apresentam maior eficácia. Uma revisão sistemática de 13 ensaios clínicos randomizados indicou que o PRP teve benefício de médio prazo na radiculopatia lombar e na dor de origem facetária lombar, enquanto o PRP intradiscal, o BMAC e as células-tronco autólogas mostraram eficácia limitada. Os autores destacam a necessidade de padronizar o preparo dos materiais e de realizar estudos multicêntricos maiores (Zhang et al., 2026).
Por isso, atualmente esses tratamentos devem ser indicados com critério e sempre baseados na melhor evidência científica disponível.
Quando procurar um ortopedista cirurgião de coluna?
Se a dor persiste apesar de medicações, fisioterapia e exercícios orientados, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar a causa do problema e definir se um tratamento intervencionista realmente faz sentido para o seu caso.
Cada paciente apresenta uma história diferente e merece uma avaliação individualizada.

Imagem 04: Ortopedista mostra a ressonância magnética da coluna lombar a um paciente durante avaliação individual da dor
Perguntas Frequentes
O procedimento costuma ser realizado com anestesia local e, na maioria dos casos, é bem tolerado.
Depende da doença tratada, da técnica utilizada e da resposta individual de cada paciente.
Não. O bloqueio costuma facilitar a reabilitação, permitindo que o paciente participe melhor do tratamento.
Não. A indicação depende da causa da dor e da avaliação realizada pelo ortopedista cirurgião de coluna.
Não. A rizotomia é um procedimento diferente, utilizado principalmente para dor de origem facetária em pacientes selecionados.
Em alguns pacientes, sim. Quando bem indicado, pode controlar os sintomas e permitir que o tratamento conservador seja concluído. Entretanto, algumas doenças continuam apresentando indicação cirúrgica independentemente do bloqueio.
O Dr. Rômulo Oliveira, ortopedista e cirurgião de coluna, realiza bloqueios na coluna em hospitais de referência de Belo Horizonte e região:\
- Nova Lima: Biocor Rede D'Or
- Belo Horizonte: Mater Dei Contorno, Mater Dei Santo Agostinho e Hospital Orizonte
- Betim: Mater Dei Betim
O procedimento é feito em ambiente hospitalar, com apoio de exame de imagem, anestesia local e sedação, e o paciente costuma ter alta no mesmo dia.
Antes de indicar o bloqueio, é necessário uma avaliação individual para confirmar se o procedimento faz sentido para o seu caso.
Como o Dr. Rômulo Oliveira atende nos principais hospitais de Belo Horizonte e região, ele realiza o procedimento de bloqueios na coluna por vários planos de saúde, entre eles:
- Amil
- SulAmérica
- Bradesco
- Petrobras
- Vale
- Caixa
- Itaú
- Proasa
- Porto Seguro
- Copasa
A realização do procedimento depende da elegibilidade de atendimento do seu plano de saúde no hospital.
