Receber o diagnóstico de escoliose costuma gerar muitas dúvidas.
Uma das perguntas mais comuns no consultório é:
"Doutor, descobri que tenho escoliose. Vou precisar operar?"
Outra dúvida frequente é exatamente o contrário:
"Tenho muita dor nas costas. Será que é porque tenho escoliose?"
Na maioria das vezes, a resposta é mais simples do que parece.
Embora a escoliose seja uma alteração do alinhamento da coluna, a maioria dos pacientes não precisa de cirurgia e muitas pessoas com escoliose vivem toda a vida sem apresentar limitações importantes.
O mais importante é identificar qual tipo de escoliose está presente, se existe risco de progressão e qual o tratamento mais adequado para cada fase da vida.
O que é escoliose?

Imagem 02: Coluna vertebral em vista posterior com desvio lateral e rotação das vértebras, em renderização anatômica
A escoliose é uma deformidade da coluna vertebral em que ocorre um desvio lateral associado à rotação das vértebras.
Em vez de permanecer alinhada quando observada de frente, a coluna passa a apresentar uma curvatura em formato de "C" ou "S".
Essa alteração pode surgir durante o crescimento, estar presente desde o nascimento ou aparecer na vida adulta em consequência do envelhecimento da coluna.
Toda coluna torta é escoliose?

Imagem 02: Radiografia da coluna total em pé mostrando curvatura lateral, exame usado para medir o ângulo de Cobb
Nem toda coluna torta é escoliose. Pequenas assimetrias posturais são relativamente comuns e nem sempre representam uma escoliose verdadeira.
O diagnóstico é confirmado através da avaliação clínica e da radiografia da coluna em posição ortostática (posição em pé), que permite medir o chamado ângulo de Cobb (medida padrão utilizada por médicos para quantificar o grau de curvatura da coluna vertebral) utilizado mundialmente para acompanhar a evolução da deformidade.
Dor nas costas significa que tenho escoliose?
Na maioria das vezes, não.
Essa talvez seja uma das maiores dúvidas dos pacientes.
A maior parte das dores nas costas está relacionada a problemas musculares, desgaste da coluna, hérnias de disco, inflamação das articulações ou outras doenças da coluna vertebral.
A escoliose leve geralmente não causa dor importante.
Quando existe dor persistente, é fundamental investigar se ela realmente está relacionada à escoliose ou se existe outra causa associada.
Tenho escoliose. É por isso que sinto dor?
Nem sempre.
Muitas pessoas descobrem a escoliose ao realizar exames por outro motivo.
Em grande parte dos casos, especialmente nas curvas pequenas, a deformidade não é a principal responsável pelos sintomas.
Já nas escolioses mais acentuadas ou degenerativas do adulto, podem surgir dores relacionadas ao desgaste das articulações, compressão dos nervos e alterações do equilíbrio da coluna.

Imagem 04: Visão 3D de uma coluna com escoliose em "S", ilustrando complicações associadas como o desgaste articular, degeneração dos discos e compressão nervosa por hérnia discal.
Por isso, o tratamento deve ser direcionado para a causa da dor e não apenas para a presença da escoliose.
Quais são os principais tipos de escoliose?
Existem diferentes formas da doença. As mais frequentes são:
- Escoliose idiopática: É a forma mais comum. Surge principalmente durante o crescimento, sem uma causa conhecida.
- Escoliose congênita: Está presente desde o nascimento devido a alterações na formação das vértebras.
- Escoliose neuromuscular: Relacionada a doenças neurológicas ou musculares.
- Escoliose degenerativa do adulto: Aparece ao longo da vida como consequência do envelhecimento dos discos, articulações e ligamentos da coluna.
Como é feito o tratamento?

Imagem 04: Colete ortopédico para coluna ao lado de um modelo anatômico de coluna, sobre bancada clara de consultório
O tratamento depende de diversos fatores:
- idade;
- fase de crescimento;
- tamanho da curva;
- risco de progressão;
- presença de dor;
- limitação funcional.
Cada paciente apresenta uma situação diferente.
Apenas acompanhamento
Muitas curvas pequenas apenas precisam ser observadas periodicamente.
Em crianças e adolescentes, o acompanhamento é importante principalmente durante o período de crescimento.
Fisioterapia
A fisioterapia pode auxiliar no fortalecimento muscular, melhora da postura, controle da dor e manutenção da função.
Em alguns pacientes também podem ser utilizados programas específicos para escoliose.
Uso de colete (órtese)
Em crianças e adolescentes que ainda estão crescendo, o uso do colete pode ser indicado quando existe risco de progressão da curva.
O objetivo não é "endireitar" completamente a coluna, mas reduzir a chance de que a deformidade aumente durante o crescimento.
Cirurgia
A cirurgia é reservada para casos específicos. Ela costuma ser considerada quando:
- a curva apresenta grande magnitude;
- existe progressão importante;
- há deformidade significativa;
- ocorre comprometimento da qualidade de vida;
- existem sintomas neurológicos ou limitações importantes.
O tratamento cirúrgico geralmente consiste na correção da deformidade e estabilização da coluna através de artrodese e instrumentação.
Então vou precisar operar?
Na maioria dos casos, não.
Essa é provavelmente a informação mais importante desta página. Grande parte dos pacientes com escoliose nunca precisará de cirurgia.
A decisão depende da evolução da curva, da idade, do potencial de crescimento e dos sintomas apresentados.
É justamente por isso que o acompanhamento com o ortopedista cirurgião de coluna é tão importante.
Quando devo procurar um ortopedista cirurgião de coluna?
Procure avaliação especializada quando observar:
- ombros em alturas diferentes;
- tronco desalinhado;
- uma escápula mais elevada;
- assimetria da cintura;
- dor persistente;
- piora progressiva da deformidade;
- alterações neurológicas.
Quanto mais cedo a escoliose for identificada, maiores são as possibilidades de acompanhamento adequado e tratamento individualizado.
Cada paciente deve ser avaliado individualmente pelo ortopedista cirurgião de coluna para definição do melhor tratamento.
Perguntas Frequentes
Não. A maioria das dores nas costas possui outras causas, como alterações musculares ou doenças degenerativas da coluna.
Não. A maioria dos pacientes é tratada apenas com acompanhamento, fisioterapia ou, em alguns casos, uso de colete durante o crescimento.
Pode. Isso depende principalmente da idade, do potencial de crescimento e do tamanho da curva.
Na maioria dos casos, não. Exercícios orientados fazem parte do tratamento e ajudam na manutenção da função e do condicionamento físico.
Sim. Existe a chamada escoliose degenerativa do adulto, relacionada ao envelhecimento natural da coluna.
Essa decisão depende da idade, do estágio de crescimento e do grau da curvatura. A indicação deve ser feita após avaliação especializada.
A decisão cirúrgica não depende apenas do grau da curva. O ortopedista cirurgião de coluna avalia fatores como progressão da deformidade, sintomas, impacto funcional, potencial de crescimento e exames de imagem para indicar o tratamento mais adequado.
