Uma dúvida muito comum no consultório é:

Doutor, ouvi falar em rizotomia por radiofrequência. Esse procedimento pode acabar com minha dor?"

A resposta é:

Depende da causa da dor.

A rizotomia por radiofrequência é um procedimento minimamente invasivo indicado para alguns pacientes com dor crônica da coluna, principalmente quando essa dor tem origem nas pequenas articulações localizadas na parte de trás das vértebras, chamadas articulações facetárias.

Quando bem indicada, a rizotomia pode proporcionar importante alívio da dor e permitir que o paciente volte a realizar atividades que antes eram limitadas pelo desconforto.

Entretanto, ela não é indicada para todos os casos de dor na coluna.

O que é a rizotomia por radiofrequência?

Renderização anatômica da coluna lombar com articulações facetárias e pequenos nervos sensitivos em destaque

Imagem 02: Renderização anatômica da coluna lombar com articulações facetárias e pequenos nervos sensitivos em destaque

A rizotomia é um procedimento realizado em ambiente hospitalar ou centro cirúrgico, utilizando anestesia local e aparelhos de imagem que permitem localizar com precisão os nervos responsáveis pela transmissão da dor.

Através de uma agulha especial, é aplicada uma corrente de radiofrequência que produz calor controlado sobre pequenos nervos sensitivos da coluna.

Esses nervos são responsáveis apenas por transmitir o estímulo doloroso proveniente das articulações facetárias.

O procedimento não altera a força muscular, não interfere nos movimentos da coluna e não provoca paralisia.

Seu objetivo é apenas interromper temporariamente a transmissão da dor.

Em quais situações ela costuma ser indicada?

Ortopedista analisando exames de imagem da coluna lombar em um monitor durante avaliação clínica

Imagem 03: Ortopedista analisando exames de imagem da coluna lombar em um monitor durante avaliação clínica

A rizotomia pode ser indicada principalmente para pacientes que apresentam:

  • dor lombar crônica;
  • dor cervical crônica;
  • artrose das articulações facetárias;
  • dor que persiste apesar de medicamentos e fisioterapia;
  • melhora importante após bloqueios diagnósticos realizados previamente.

Antes da indicação da rizotomia, normalmente é necessário confirmar que a dor realmente tem origem nas articulações facetárias.

Essa confirmação costuma ser feita através de bloqueios diagnósticos realizados pelo ortopedista cirurgião de coluna.

Toda dor na coluna melhora com rizotomia?

Não.

Essa é uma das maiores dúvidas dos pacientes.

A rizotomia não trata todas as doenças da coluna.

Ela costuma apresentar melhores resultados quando a dor é proveniente das articulações facetárias.

Por outro lado, pacientes cuja dor é causada por hérnia de disco com compressão dos nervos, fraturas, tumores, infecções ou instabilidade importante da coluna geralmente necessitam de outro tipo de tratamento.

Por isso, o diagnóstico correto continua sendo a etapa mais importante.

A rizotomia cura a artrose da coluna?

Não.

A artrose é uma consequência natural do envelhecimento e do desgaste das articulações.

A rizotomia não elimina esse desgaste.

Seu principal objetivo é controlar a dor causada pela inflamação dessas articulações, permitindo que o paciente volte a realizar fisioterapia, fortalecimento muscular e atividades do dia a dia com mais conforto.

Em outras palavras, ela trata os sintomas, mas não reverte o processo degenerativo.

Como é realizado o procedimento?

Sala de procedimentos com arco em C de raio-X e gerador de radiofrequência, sem pacientes

Imagem 04: Sala de procedimentos com arco em C de raio-X e gerador de radiofrequência, sem pacientes

O procedimento costuma durar poucos minutos.

Após anestesia local, o médico posiciona cuidadosamente uma agulha guiada por raio-X até o local onde passa o nervo responsável pela dor.

Em seguida, aplica-se energia de radiofrequência de forma extremamente precisa.

Na maioria dos casos, o paciente recebe alta no mesmo dia.

Quanto tempo dura o efeito?

Essa é uma das perguntas mais frequentes.

O tempo de melhora varia de um paciente para outro.

Diversos estudos mostram que muitos pacientes apresentam alívio importante da dor durante vários meses.

Em alguns casos, esse benefício pode durar aproximadamente entre 6 e 12 meses, dependendo da doença tratada, da resposta individual e da continuidade da reabilitação.

Caso a dor retorne, alguns pacientes podem ser reavaliados para um novo procedimento.

A rizotomia realmente funciona?

Quando indicada para o paciente correto, sim.

As evidências científicas atuais demonstram que a rizotomia por radiofrequência pode reduzir significativamente a dor e melhorar a qualidade de vida de pacientes com dor facetária crônica.

Os melhores resultados costumam ocorrer quando:

  • o diagnóstico foi corretamente estabelecido;
  • houve resposta positiva aos bloqueios diagnósticos;
  • o paciente associa o procedimento à fisioterapia e ao fortalecimento muscular.

A seleção adequada do paciente é um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento.

Existem riscos?

Como qualquer procedimento médico, existem riscos.

Entretanto, a rizotomia é considerada um procedimento seguro quando realizada por profissionais treinados.

Os efeitos adversos mais comuns costumam ser leves e temporários, como dor no local da aplicação ou sensibilidade aumentada durante os primeiros dias.

Complicações importantes são pouco frequentes.

O que acontece depois da rizotomia?

Fisioterapeuta orientando exercícios de fortalecimento para a coluna em uma sessão de reabilitação

Imagem 05: Fisioterapeuta orientando exercícios de fortalecimento para a coluna em uma sessão de reabilitação

O procedimento representa apenas uma etapa do tratamento.

Após o controle da dor, normalmente inicia-se uma fase importante de reabilitação, incluindo:

  • fisioterapia;
  • fortalecimento muscular;
  • Pilates terapêutico;
  • treinamento funcional supervisionado;
  • mudança de hábitos.

Essa associação costuma proporcionar resultados mais duradouros.

Quando procurar um ortopedista cirurgião de coluna?

Se você apresenta dor persistente na coluna há vários meses, já realizou tratamento com medicamentos e fisioterapia, mas continua limitado pelas dores, uma avaliação especializada pode identificar a origem dos sintomas e definir se a rizotomia realmente é indicada para o seu caso.

Cada paciente apresenta uma história diferente e merece uma avaliação individualizada.

Perguntas Frequentes

O procedimento costuma ser realizado com anestesia local e, na maioria dos casos, é bem tolerado pelos pacientes.

Na maioria das vezes, não. O procedimento é realizado em regime ambulatorial, permitindo alta no mesmo dia.

Não. A técnica atua sobre pequenos nervos responsáveis pela transmissão da dor, sem comprometer a força muscular ou os movimentos da coluna.

Alguns pacientes apresentam melhora logo nos primeiros dias, enquanto outros percebem o benefício de forma gradual ao longo das semanas seguintes.

Não necessariamente. O alívio costuma durar vários meses, podendo variar conforme a doença tratada e as características individuais de cada paciente.

Sim. Com o passar do tempo, os nervos podem recuperar sua função. Quando isso acontece, o paciente pode ser reavaliado para definir a necessidade de um novo tratamento.

Não. O procedimento facilita a reabilitação, mas os melhores resultados são obtidos quando associado à fisioterapia, fortalecimento muscular e mudanças no estilo de vida.

Referências Bibliográficas

Prospective, non-inferiority, multicenter, randomized, single-blind clinical trial comparing cooled radiofrequency ablation to standard radiofrequency ablation to manage chronic facetogenic lumbar back pain. Regional Anesthesia & Pain Medicine. 2026.
Comparative Effectiveness of Radiofrequency Ablation, Cryoablation, and Endoscopic Denervation for Lumbar Facet Pain. Spine. 2026.
Outcomes of Cooled Radiofrequency Ablation of Lumbar Nerves as Treatment for Chronic Low Back Pain. Pain and Therapy. 2025.